Assassinato do juiz Alexandre Martins completa seis anosJornal A GAZETA -24.03.2009

Assassinato do juiz Alexandre Martins completa seis anos
Seis anos após o crime,
pai da vítima diz que pensa sobre o caso todos os dias
24/03/2009 - 10h56 (
Letícia Gonçalves - gazeta online)
foto: Nestor Muller (05/2006)
Alexandre Martins de Castro Filho foi morto na porta de uma academia em Vila Velha
O assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho completa seis anos nesta terça-feira (24).
Até agora, os acusados de serem os mandantes do crime não foram julgados.
De acordo com o pai do juiz, o advogado Alexandre Martins, a morosidade da Justiça, principalmente nas instâncias superiores, contribui para o longo período sem solução para o caso.
Outro fator seriam os inúmeros recursos das defesas dos acusados à Justiça.
"O Superior Tribunal de Justiça deveria ter um mínimo de interesse em julgar, o que parece que não está havendo. Um recurso que normalmente leva três, quatro meses para ser julgado, está em Brasília há mais de dois anos. Isso que é o absurdo. Os tribunais superiores são lerdos", diz Alexandre Martins.Um coronel da Polícia Militar, um policial civil e um outro juiz são apontados como os mentores do crime. Todos estão em liberdade. O juiz Antônio Leopoldo, que chegou a ser preso, teve habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal. O policial civil Cláudio Luiz Andrade Baptista, o Calu, teve o mesmo benefício. O coronel Walter Gomes Ferreira também está solto."
Isso representa uma certa impunidade e um péssimo exemplo para toda a sociedade, que passa a acreditar que a Justiça não é feita", afirma o pai do juiz assassinado.
Quanto à responsabilidade pelo crime, o advogado Alexandre Martins diz não ter dúvidas de que os três acusados sejam culpados.
"Não sou eu que digo que eles são culpados.
Isso foi investigado pela polícia, minuciosamente.
Todos os executores foram condenados e ali já se via a ligação com os mandantes.
O Ministério Público analisou isso, ofereceu denúncia, todos foram pronunciados.
Eu não posso ter dúvidas de que eles são os mandantes".
Os executores e intermediários do assassinato já estão presos.
Os assassinos confessos foram condenados a 20 anos de prisão.
DefesaO advogado Clóvis Rossi, que defende o coronel Ferreira, nega a acusação de que o militar teria participado do assassinato do juiz "O inquérito da Polícia Federal prova que não houve nenhuma ligação do coronel com o crime porque ele estava fora do estado na ocasião", afirmou. As defesas do policial civil Cláudio Luiz Andrade Baptista e do juiz Antonio Leopoldo não foram localizadas para comentar o caso.AmagesPara dar mais celeridade ao processo, seria necessária a intervenção da Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages).
De acordo com o advogado Alexandre Martins, o órgão poderia pressionar as instâncias superiores em Brasília.
"É um crime em que um juiz é acusado e outro é a vítima, não é um caso comum", finaliza.
A Amages ainda não se pronunciou sobre o assunto.
O crime O juiz Alexandre Martins de Castro Filho, 32 anos, foi assassinado com três tiros quando entrava em uma academia de ginástica em Itapoã, bairro de classe média alta da cidade de Vila Velha (ES), em março de 2003.
Alexandre integrava a missão especial federal que, desde julho de 2002, investigava as ações do crime organizado no estado.
O fato chocou o país, e foi tema de várias reportagens em jornais de circulação nacional e nas grandes redes de TV.